De dois em dois anos, a mesma história - ou deveria dizer 'estória'? - de sempre. É aquela sensação de renovada esperança, que dura não mais que um ano e meio, quando muito. Mudam um pouco as personagens e suas atribuições na novela, claro. Só que o enredo ficou repetitivo.
Quer dizer, antes fosse o enredo, porque novela hoje em dia está num estágio de senso-comum tão apreciado que nem isso incomodaria mais. Mas não, as falas são as mesmas, só muda o jeito de falar, o número e o emblema no peito e no canto da tela. Eles lutam por espaço sempre mais, e pode apostar que o coadjuvante de hoje vai fazer de tudo para chegar ao papel de protagonista amanhã (seja esse amanhã daqui dois ou quatro anos), passe por cima de quem precisar passar.
É um ciclo igualzinho àquelas novelinhas jovens que mudam os personagens mas os tipos de atores são sempre os mesmos. Assim como no programa de lazer, quem esta lá no programa como 'poder da situação', incorpora uma personagem para lhe servir durante o mandato. Se inevitavelmente sua saga de vilão não foi lá muito bem aprovada, sem problemas: próxima vez decide voltar repaginado como mocinho e defensor de tudo que é bom.
A grande merda nisso tudo é que nós acreditamos: acreditamos que o vilão vai para uma temporada - no Caribe ou Bahamas com o nosso dinheiro - e volta mais humano do que era quando estava lá em cima. Chegamos a achar que eles realmente estão mais humildes ou que podem se regenerar. E é assim, que acreditar se tornou um problema, quando deveria ser a solução.
(Evelise Kowalczyk dos Santos)




