E a garotinha foi deixada para trás.
Em verdade, ela sempre soube que "eles" costumam ser assim, mas tinha esperanças que esse fosse diferente, então tinha se afeiçoado e vinha caminhando com aquele garotinho por muito tempo. Por tanto tempo que já não lembrava mais o que era andar sozinha e não tinha certeza se saberia se defender caso um dia ele a deixasse. Também não poderia voltar atrás e encontrar seus amigos, que tinham escolhido caminhos diferentes.
Não foi assim de repente, na verdade ela sempre esperou e cuidou muito para que eles não se separassem. O problema é que ele primeiro foi deixando de falar tanto com ela como fazia antes, e depois soltando devagar sua mão, um dedinho por vez, e então as duas mãos. Depois foi andando um pouquinho mais rápido e mais rápido e quando ela caiu em si, já não o enxergava e estava sozinha. Abandonada. Claro que quando isso começou ele dizia: "estou andando um pouquinho mais rápido pra ver se não tem perigo nenhum, não se preocupe, estou com você, logo eu volto para ficar ao seu lado, eu prometo, nunca duvide disso", e ela, acreditava. Afinal, o que se haveria de fazer?
Conforme ele se distanciava e continuava sabendo que ela estava a esperar, se sentia o máximo, o requisitado e importante, pois que ouvia os apelos da garotinha sem sentir necessidade de retribuir. Acreditava que falar seria suficiente e não achava mais necessário demonstrar a ela que não iria lhe abandonar. Ia descobrindo as coisas novas no caminho sem sua companhia, e apesar de saber que talvez ela sofresse com isso não fazia mais questão de avisar de perigos, deixando a menina a mercê de sua incapacidade e tristeza.
Retroceder? Seria voltar ao que era antes, perda de tempo! Então ele decidiu seguir, achou que seria até melhor sem ela. Eis que a pobre garotinha cansou de perseguir alguém assim, que havia lhe dado algumas palavras de certeza e depois de um tempo nada mais. O que havia afinal de tão linda nessa estrada que percorria sozinha? Sentou, chorou, emudeceu, e ali ficou. No fundo, esperava que ele desse por sua falta e voltasse, contudo não podia ter certeza disso quando sequer o enxergava no horizonte. O tempo passou e as coisas não tinham mais vida, o outono lhe roubou o tom bronzeado da pele, a alegria do olhar e uns quilos do corpo. Muitas pessoas ainda passaram por ela, tentaram incorrer em ajuda e lhe salvar. Mas a verdade é que ela já não enxergava motivos no mundo e não queria percorrer a estrada sem ele, não queria seguir em frente. Não podia reencontrar seus amigos e não queria ser ajudada por estranhos. Tampouco podia gritar ao garoto, rouca que tinha se tornado depois de tanto tempo.
Vai ver o menino a achava lerda e reclamo na, e por isso decidiu acelerar e ver se ela o acompanharia. Talvez a sua rapidez o tornasse mais cheio de si e lhe dissesse que sua companhia deveria saber lhe acompanhar, não sei. Porém em momento algum ele pediu para que ela acelerasse. Sabe, havia ainda muita coisa que pudesse ser feita. Ele poderia se esforçar e encontrar uma maneira de voltar, por mais difícil que fosse, pois ela sempre tinha feito tudo que estava ao seu alcance para estar junto dele. Ele poderia te-la carregado, ou esperar de quando em quando para que eles não se distanciassem tanto. Tarde demais, pois ela tinha decidido parar e não queria mais viver aquela caminhada sem objetivos.
E a menina ainda está ali, pensando em como seria bonito se ela pudesse/quisesse caminhar pela estrada. O menino pode até parar e esperar por ela, mas ela não conseguirá chegar. Os dois na espera de uma distancia que não pode sumir das suas vidas, como ele o fez tão facilmente. E para ele pode parecer óbvio e natural que ela não parasse, mas talvez ele nunca tenha se posto no lugar dela: mais emotiva, mais insegura, mais fraca. Justamente por isso tão carente de sua atenção.
Apesar de tudo, a menina ainda ama demais e sente saudades irracionalmente, mesmo tendo toda a certeza de ter sido abandonada a troco de nada. Espera que um dia ele volte, apesar de não saber como estará até lá.
(Evelise Kowalczyk dos Santos)
Em verdade, ela sempre soube que "eles" costumam ser assim, mas tinha esperanças que esse fosse diferente, então tinha se afeiçoado e vinha caminhando com aquele garotinho por muito tempo. Por tanto tempo que já não lembrava mais o que era andar sozinha e não tinha certeza se saberia se defender caso um dia ele a deixasse. Também não poderia voltar atrás e encontrar seus amigos, que tinham escolhido caminhos diferentes.
Não foi assim de repente, na verdade ela sempre esperou e cuidou muito para que eles não se separassem. O problema é que ele primeiro foi deixando de falar tanto com ela como fazia antes, e depois soltando devagar sua mão, um dedinho por vez, e então as duas mãos. Depois foi andando um pouquinho mais rápido e mais rápido e quando ela caiu em si, já não o enxergava e estava sozinha. Abandonada. Claro que quando isso começou ele dizia: "estou andando um pouquinho mais rápido pra ver se não tem perigo nenhum, não se preocupe, estou com você, logo eu volto para ficar ao seu lado, eu prometo, nunca duvide disso", e ela, acreditava. Afinal, o que se haveria de fazer?
Conforme ele se distanciava e continuava sabendo que ela estava a esperar, se sentia o máximo, o requisitado e importante, pois que ouvia os apelos da garotinha sem sentir necessidade de retribuir. Acreditava que falar seria suficiente e não achava mais necessário demonstrar a ela que não iria lhe abandonar. Ia descobrindo as coisas novas no caminho sem sua companhia, e apesar de saber que talvez ela sofresse com isso não fazia mais questão de avisar de perigos, deixando a menina a mercê de sua incapacidade e tristeza.
Retroceder? Seria voltar ao que era antes, perda de tempo! Então ele decidiu seguir, achou que seria até melhor sem ela. Eis que a pobre garotinha cansou de perseguir alguém assim, que havia lhe dado algumas palavras de certeza e depois de um tempo nada mais. O que havia afinal de tão linda nessa estrada que percorria sozinha? Sentou, chorou, emudeceu, e ali ficou. No fundo, esperava que ele desse por sua falta e voltasse, contudo não podia ter certeza disso quando sequer o enxergava no horizonte. O tempo passou e as coisas não tinham mais vida, o outono lhe roubou o tom bronzeado da pele, a alegria do olhar e uns quilos do corpo. Muitas pessoas ainda passaram por ela, tentaram incorrer em ajuda e lhe salvar. Mas a verdade é que ela já não enxergava motivos no mundo e não queria percorrer a estrada sem ele, não queria seguir em frente. Não podia reencontrar seus amigos e não queria ser ajudada por estranhos. Tampouco podia gritar ao garoto, rouca que tinha se tornado depois de tanto tempo.
Vai ver o menino a achava lerda e reclamo na, e por isso decidiu acelerar e ver se ela o acompanharia. Talvez a sua rapidez o tornasse mais cheio de si e lhe dissesse que sua companhia deveria saber lhe acompanhar, não sei. Porém em momento algum ele pediu para que ela acelerasse. Sabe, havia ainda muita coisa que pudesse ser feita. Ele poderia se esforçar e encontrar uma maneira de voltar, por mais difícil que fosse, pois ela sempre tinha feito tudo que estava ao seu alcance para estar junto dele. Ele poderia te-la carregado, ou esperar de quando em quando para que eles não se distanciassem tanto. Tarde demais, pois ela tinha decidido parar e não queria mais viver aquela caminhada sem objetivos.
E a menina ainda está ali, pensando em como seria bonito se ela pudesse/quisesse caminhar pela estrada. O menino pode até parar e esperar por ela, mas ela não conseguirá chegar. Os dois na espera de uma distancia que não pode sumir das suas vidas, como ele o fez tão facilmente. E para ele pode parecer óbvio e natural que ela não parasse, mas talvez ele nunca tenha se posto no lugar dela: mais emotiva, mais insegura, mais fraca. Justamente por isso tão carente de sua atenção.
Apesar de tudo, a menina ainda ama demais e sente saudades irracionalmente, mesmo tendo toda a certeza de ter sido abandonada a troco de nada. Espera que um dia ele volte, apesar de não saber como estará até lá.
(Evelise Kowalczyk dos Santos)
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