quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Simples, e profundo.



Dentre inúmeras coisas que eu não consigo entender, as pessoas e suas atitudes ocupam a maior parte dos meus vagos e difusos pensamentos. Isso claramente inclui a minha pessoa, igualmente difusa e com toda essa parafernália emocional que causa tanto insights maravilhosos quantos vontades infames, porem sendo um ser que não sente alegria em fazer maldade aos outros (seja num oi não dado ou numa esperança falsa entregue), e por possuir um mínimo de consciência mundo-eu mesma, considero-me aprazível e agradável aos outros.

Seja como for, o fato é que não importa o quanto você tente entender as pessoas e o quanto de empatia você supostamente tenha. Porque apesar de tudo, tem gente que alguns chamam de trouxas por aí, assim como eu, que gostaria de ver um mundo equilibrado, com pessoas de verdade. E dói pensar que, se alguém, mesmo que seja apenas um conhecido, vier me pedir um favor de amigo, eu sou capaz de fazer, com um baita sorriso no rosto e a alegria de uma criança afável. Muitas vezes eu brigo comigo por isso: por sempre acreditar no melhor, por achar que o mundo deve estar precisando de pequenas atitudes e por achar que as pessoas podem desenvolver um tipo de consciência a partir de momentos de reflexão que poderiam ser ate muito simples e comuns. E sei que não sou a única. Mas não queria deixar de acreditar que pode valer a pena um dia.

Acontece que existem lacunas tão imensas entre o que as pessoas transparecem e o que elas realmente são que o mais sensato possível é viver de acordo com você, caso se considere alguém feliz, claro. Fica difícil esperar algo de alguém. Deprime meu cognitivo ver que tudo se tem, tudo se faz, tudo que se compra, é motivo de orgulho para a grande parte das pessoas. E nessas horas me bate uma vontade imensa de ser a versão feminina do Christopher McCandless (sim, o cara do livro "Into the Wild") e sumir no mundo. E quem não ficaria decepcionado? Basta pensar um pouquinho.

Também nessas horas eu penso no tempo que já perdi com pessoas fúteis e o quanto isso inebria minha vida com deficits incalculáveis de momentos felizes e com pessoas de verdade. Porque não basta ser de verdade com poucos, ou com prazo de validade, e a integridade parece ter sido deixada de lado e um tipo de integridade seletiva acomete-nos a todo momento. Dentro de cada mazela psíquica que nos enquanto seres humanos acumulamos nas nossas vidas, existe um pouquinho dessa frustração alheia que nos é causada pouco a pouco por pessoas assim. Alguns convivem com isso, outros gostam, muitos não ligam, e outro tanto enlouquece. Creio que os últimos sejam os mais dignos de compaixão, por enlouquecerem na vaga tentativa de entender alguém.

E talvez a grande brincadeira seja parear. Aos profundos, o que é profundo e pessoas igualmente profundas, aos superficiais, os seus semelhante e abrilhantados com ouro falso. Não me entendam mal quando digo que aprecio o bonito, mas prefiro o belo. O bonito é percebido por qualquer um, independe das suas maneiras e preferências. Só que o que é belo apenas os simples entendem, e não se pode ser simples quando se vive afundado em preocupacoes mundanas. Roupas, relógios, canetas, beleza? Tudo isso acaba. Para ser simples você precisa respirar com o mundo, precisa sentir algo bater forte no seu peito enquanto dirige por uma praia deserta ou enquanto deita na grama e olha o mundo girar. Precisa se conhecer, saber seus limites, entender-se como individuo e saber o que quer de você mesmo, o que lhe fará se sentir completo, feliz. Não basta ser aquilo que os outros esperam que sejas, que tenha dinheiro, emprego, a pessoa dos seus 'sonhos' e um rosto lindo. Encontre alguém que lhe caiba, que acredite nas mesmas coisas que você acredita e que saiba reconhecer algo belo, olhar no fundo dos seus olhos e agradecer por ter lhe encontrado um dia.

Triste, triste mesmo, pensar que não possamos tirar algumas pessoas de suas piscinas rasas e miragens exuberantes para o que chamam de alegria. Mas é preciso poder contar com pessoas de verdade e sentimentos puros e verdadeiros. Precisamos conhecer também uns aos outros de maneira a encontrar quem nos faz bem, pessoas que te fariam acreditar que a vida valeu a pena ao lado delas. Que não foi mentira, que não foi interesse, que não foi superficial, e que seria para sempre, caso o pra sempre existisse. 

Sinto muito pelos que eu não posso ajudar, por você que lê isso e acha baboseira. Sinto muito por não conseguir explicar consistentemente essa frustração imensa que sinto ao escrever, e que talvez você sinta ao não conseguir me entender. A vida merece mais, e nos merecemos começar a viver o quanto antes.

(Evelise Kowalczyk dos Santos)

2 comentários:

jeisonmello disse...

Sentir muito? sei la, nao sinta pelos outros, muito menos pelos que nao a entendem.
Já pensou em agir como o chef na frnaça?
Nao gostou da comida? Vá a ouro restaurante, seu paladar é ruim nao o que faço!
o fato de nao pensar como os outros ou os outros nao pensanrem como vc so deixa mais bela a vida e a DI VER SI DA DE!
bjs
jeisonmello.com

birasblog disse...

É a vida complexa e cheia de altos e baixo é a vida!